existe crise dos 27?

se não, eu sou o primeiro caso dessa terrível fase

REFLEXÕES

10/7/20253 min read

Existe algum momento da vida em que a gente viva sem nenhuma paranóia na cabeça? Se existe, eu tô doida pra chegar nessa fase! Aos 27 anos, não tem um dia sequer que eu acorde sem pensar: “beleza, o que eu tô fazendo da minha vida?”.

E aqui eu nem tô entrando no mérito de que essa idade é aquele limbo: existem amigos casando e tendo filhos; outros que estão começando a entrar no mercado de trabalho; e alguns outros tantos vivendo a vida adoidado e você no meio disso tudo se perguntando o que fazer e questionando se tá mesmo no caminho certo - e se ta vivendo a vida de forma errada.

Esse tipo de crise que eu tô falando é diferente. Ela se parece muito quando temos 18 anos e precisamos decidir qual carreira queremos seguir pelo “resto da vida” (hoje a gente sabe que não é pelo resto da vida, mas, naquele momento, é a decisão mais importante que você pode tomar).

Veja bem, eu tenho 27 anos. Entrei na faculdade com 17. Saí com 22. Desde os 21 mais ou menos eu estudo e trabalho com a mesma coisa. São 6 anos me dedicando somente a uma área, dando todo o meu sangue, tempo e disposição. Mas aí acontece que essa área parou de ser interessante pra mim. Na real, ela se tornou chata. Muito chata. Insuportável. Fala sobre isso perto de mim que eu te bato.

Brincadeira, não é pra tanto, mas eu cansei. Exausta seria uma melhor palavra. Ah, eu trabalho com marketing de conteúdo.

Preciso nem dizer que um dos fatores que me levaram a essa exaustão é justamente o tanto que hoje se fala sobre marketing de conteúdo. Meio que se tornou banal, algo que todo mundo faz. Mas esse nem é o ponto: o ponto principal da crise foi quando eu me perguntei: é só isso que eu sei?

É bem fácil pensar que essa é a única coisa que eu sei, visto que eu passei 6 anos só estudando sobre isso, vendo conteúdo sobre criar conteúdo, trabalhando com isso e consumindo palestras e etc sobre esse tema. Quando eu pensei em mudar de área, eu não sabia pra onde ir. O que mais eu sabia? Na minha visão, era nada. Não sabia de mais nada. Todo o resto eu aprendi superficialmente ou dei uma passada em alguma aula da faculdade. Mas me aprofundar mesmo e entender a ponto de poder trabalhar com aquilo? Nadinha.

E aí veio outro ponto: o que me interessa de verdade?

Como pode essa pergunta ser tão fácil pra outras pessoas e pra mim ser um questionamento super profundo que eu nem sei direito como responder???

O que mais me interessa? Sei lá! Marketing de conteúdo. Ficou tão viciada essa resposta na minha cabeça que foi difícil me desvincilhar. E ainda tá sendo.

Tô fazendo aula de desenho, peguei umas câmeras analógicas pra fotografar e comecei um curso gratuito de design. Tenho revisitado minha infância pra me redescobrir.

A real é que eu acho que essa crise dura a vida toda pra quem quer fazer a diferença no mundo. Tava conversando com uma amiga de uns 40 anos esses dias e ela me disse que tava passando justamente pela mesma coisa. Ela se dedicou mais de 20 anos pra área acadêmica pra, no fim das contas, descobrir que não é isso que ela gostava. Assim como eu, ela também não tem uma resposta na ponta da língua pra responder o que ela quer fazer agora. Também está se redescobrindo. E que beleza esse momento! Antes tarde do que nunca.

E talvez o sentido da vida seja esse, né? Nos descobrir mil e uma vezes, se necessário.