Feito é melhor que perfeito?
Pra quem??
Marina Reboredo
10/7/20252 min read


Acordei hoje sem nenhuma expectativa. Segunda-feira normalmente é o dia que eu mais acordo animada, doida pra dar check na minha agenda em todas as minhas demandas, organizadas por cor de acordo com cada área (adoro).
Mas não hoje. Sei lá, acordei com uma sensação diferente. Primeiro que acordei tarde (8h30 pra mim já é tarde). Não que eu costume acordar super cedo, tá? Pra mim cedo é umas 7h, até umas 7h30. Depois já tá tarde. Tomei café da manhã, brinquei com o Malte, dei beijinho no namorado. Sentei. Organizei as demandas da semana. Agenda tranquila, sinônimo de semana leve. Até aí tudo bem, seria um alívio pra qualquer um, mas me causou incômodo - mas isso é papo pra outro texto.
Tocou o interfone e era entrega do livro que eu tinha comprado. Oba! Parece que o clima mudou, o sol se abriu e animação finalmente chegou. Tive a ideia de fazer um vídeo abrindo a encomenda com a legenda “único jeito possível de abrir um livro”, e me gravar abrindo e cheirando meu delicioso livro novo (não confio em quem não gosta do cheiro de livro novo).
Gravei. Editei. E, hmmm, sei lá… Não era isso que eu tinha pensado. Mas, ok. Postei. 10 minutos passaram, excluí o vídeo. A frustração e o desânimo do início do dia cutucaram as minhas costas e me deram oi de novo: “oie, achou que a gente tido ido embora?”. Não, não, elas ainda estavam aqui. O vídeo tinha ficado zero do jeito que eu tava imaginando, mas, ei!!! Pelo menos eu fiz!! Pelo menos eu gravei! Feito é melhor que perfeito, não?
Cheguei a conclusão que não. Foi muito mais frustrante. É muito melhor fazer com calma, dando total atenção ao que tá sendo produzido ali - ainda mais quando se trata de arte (e, sim, criar conteúdo pra mim é uma forma de arte). Eu quis fazer por fazer, como se fosse uma demanda pra dar check na minha agenda, e no intervalo entre estender roupa no varal e fazer o almoço (nós artistas que ainda precisamos dar conta de tarefas de casa… tão antiquado!).
“A pressa é inimiga da perfeição” - essa, sim, é uma frase verdadeira. Nem sempre o feito vai ser melhor que o perfeito. O feito as vezes vai fazer você se achar feia, incopetente e uma péssima profissional. O feito pode te fazer duvidar de você mesma e ainda estampar na sua cara: “haha você não é tão boa assim”. O feito vai fazer você se sentir um lixinho, mesmo que na maioria das vezes você se ache fodona.
O alvo tem que sempre ser o perfeito. “Feito é melhor que perfeito” te deixa na zona de conforto de que “ah, tudo bem, pelo menos eu fiz”. Mas fez de qualquer jeito!!! Valeu a pena? Gostou do resultado? Se não, não acho que tenha valido tanta pena assim.
Entenda que isso não se aplica a todos os casos. As vezes tentar alcançar a perfeição é um caminho árduo e muuito mais frustrante. Mas entenda também que a vontade de fazer melhor, se desenvolver e se desafiar, precisa falar mais alto. Uma vez ou outra entregar alguma coisa mais ou menos é totalmente plausível, mas a mira precisa estar no “perfeito”.
Eu hoje fiz de qualquer jeito sabendo que eu poderia ter feito mil vezes melhor e ganhei uma frustraçãozinha de brinde e alguns apartamentos nada legais alugados na minha cabeça. A mira vai estar no “perfeito” da próxima vez - e não só no “feito”.
